Cegueira nossa de cada dia
Assisti “Ensaio sobre a cegueira” e gostei tanto do filme quanto do livro. O primeiro não perde nada em relação ao segundo, pelo contrário, materializa de maneira visual, e não menos emocional, a fantástica história escrita por José Saramago.
Pelo que tenho lido a respeito a crítica não está falando muito bem do filme. Não sei se isso é bom ou ruim, não conheço os conceitos e os interesses que permeiam as análises dos críticos dos festivais de cinema. O festival de Cannes, por exemplo, classificou o filme em penúltimo lugar, para eles o filme dirigido por Fernando Meirelles só é melhor que um pornô Filipino. Mas falar o que de Cannes? Lá também eles costumam premiar inúmeras peças publicitárias fantasmas, fato que nos dá o total direito de questionar a validade do festival.
Mas o que me chamou mais atenção é o protesto que a Associação de Cegos dos EUA está organizando contra o filme. O pessoal de lá se sentiu ofendido com a produção. Definitivamente eles não entenderam a mensagem e a reflexão que a história traz. A cegueira em questão não está na capacidade de visão de uma pessoa, mas sim nos valores do ser humano vivendo em sociedade. Esse é o ponto chave.
Quando elevamos o conceito de cegueira para um universo mais amplo não fica difícil identificar sintomas no meio em que atuamos. Encontramos muita gente vendendo comunicação digital, fazendo seu show particular, utilizando jargões técnicos em seus discursos e, no final, entregando sempre o velho “mais do mesmo”, sem nenhum respeito com o cliente e com o consumidor final. A “epidemia branca” não é exclusividade da ficção do Saramago, e como diz o ditado, “o pior cego é o que não quer ver”.
Reação do José Saramago ao assistir o filme, de arrepiar, literalmente!
Um comentário para “Cegueira nossa de cada dia”
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Felipe disse:
outubro 15th, 2008 at 12:47
É. Eu concordo com você. As produções brasileiras – mesmo o “Ensaio” sendo filme estrangeiro e só o diretor ser brasileiro – quase nunca arrancam críticas positivas de Cannes ou Hollywood. Mas, convenhamos, quem liga pra um monte de juristas babacas que entendem tanto de cinema (no sentido de cinema mundial) quando uma porta entende sobre física quântica? (!)
Gostei muito do filme. E do livro. Só achei que a trilha sonora poderia ter sido um pouco melhor trabalhada, os toques do piano às vezes davam um tom meio que humorístico para as cenas, que no livro, estariam massantemente representadas num parágrafo de quatro páginas, bem pior do que de fato pareceu ser no filme. Mas, enfim, são só detalhes.
No mais, elogiar Saramago seria tão redudante quando “entrar pra dentro”. E o Meireles é bom, sempre bom.
Um abraço!
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outubro 15th, 2008 at 12:47
É. Eu concordo com você. As produções brasileiras – mesmo o “Ensaio” sendo filme estrangeiro e só o diretor ser brasileiro – quase nunca arrancam críticas positivas de Cannes ou Hollywood. Mas, convenhamos, quem liga pra um monte de juristas babacas que entendem tanto de cinema (no sentido de cinema mundial) quando uma porta entende sobre física quântica? (!)
Gostei muito do filme. E do livro. Só achei que a trilha sonora poderia ter sido um pouco melhor trabalhada, os toques do piano às vezes davam um tom meio que humorístico para as cenas, que no livro, estariam massantemente representadas num parágrafo de quatro páginas, bem pior do que de fato pareceu ser no filme. Mas, enfim, são só detalhes.
No mais, elogiar Saramago seria tão redudante quando “entrar pra dentro”. E o Meireles é bom, sempre bom.
Um abraço!


