Ontem (01.12.09) foi o lançamento oficial do modelo de Concorrência e Avaliação para Serviços Digitais. Sem dúvida uma noite histórica para o mercado de agências digitais.
A criação do documento foi realizada pela APADI (Associação Paulista das Agências Digitais) e nós, Lampejos, como associados e participantes da associação, estamos muito orgulhosos em poder fazer parte deste momento importante para a regulamentação e profissionalização do mercado digital.
O documento apresenta os principais pontos que devem ser considerados num processo de contratação de uma agência digital, além de oferecer dicas sobre elaboração de briefing e critérios de avaliação de propostas e preços.
A Conferência do Grupo de Planejamento 2009 foi foda. Sem dúvida um dos melhores eventos do calendário de comunicação. Ali não apareceu nenhum palestrante que faz o tipo “guru dono da verdade” ou aqueles caras xaropes que se dedicam mais em fazer um “show performático” do que propriamente passar algum conteúdo relevante.
Deu pra sentir que as palestras foram escolhidas a dedo pelos organizadores, com carinho. Todas apresentaram conteúdo relevante que se complementavam a medida que o evento decorria. Mesmo contando com a presença de 580 pessoas, o evento teve um clima muito pessoal e próximo entre os participantes e palestrantes, ao final de cada palestra sempre rolava algumas perguntas bacanas.
// O evento começou com uma palestra compartilhada entre Cesar Vacchiano, Graziela di Giorgio (ambos do Grupo Consultores) e Roberta Rivellino (The Talent Business). Mapearam, com muita competência, o território do planejamento. Apresentaram alguns resultados interessantes de uma pesquisa realizada com empresas brasileiras, que mostrou que os principais critérios para a contratação e seleção de uma agência são:
_ criatividade;
_ exclusividade, ou seja, não atender outras empresas do mesmo setor;
_ transparência no modelo de remuneração.
E os principais motivos para a mudança de agência são:
_ falta de criatividade;
_ problemas de atendimento;
_ falta de entendimento do negócio.
Alguns conceitos que foram apresentados e que merecem destaque:
“Neste cenário a importância de transmitir o valor do planejamento ao cliente pode ser um fator determinante para o sucesso na relação entre agência e cliente”.
“Falta de bons profissionais de planejamento é um fato no Brasil e no mundo”.
“Não dá pra fazer planejamento sem ter conhecimento profundo do meio digital”.
“Planejamento necessita de profundidade, estudo e conhecimento”.
// Na sequência veio Leonardo Ganem, presidente da Som Livre.
Apresentou o histórico da gravadora, erros e acertos, e fez um panorama atual sobre como a Som Livre está se posicionando numa época em que o CD / DVD perde espaço, diariamente, para a pirataria. Hoje, 47% das faixas musicais consumidas são pirateadas via internet.
Qual o valor da indústria da música na atualidade? Essa é a resposta que a Som Livre esta buscando. Minha opinião pessoal, e após assistir a palestra fiquei mais convicto, é de que eles (gravadoras em geral) ainda não compreenderam como reposicionar um modelo de negócio que já foi uma mina de ouro e hoje está fadado ao fracasso.
// A Flávia da Justa, diretora de comunicação Oi, pra mim foi o ápice do evento. Uma aula sobre como aplicar todos os conceitos de planejamento na prática. O case de construção e posicionamento da marca é impecável. O cuidado, e ao mesmo tempo a audácia, com que a Oi se comunica com o mercado é algo pra inspirar muitas agências e clientes. Algumas frases marcantes da Flávia:
“A marca Oi não representa telefonia e sim um estilo de vida”.
“Não fazemos filme institucional. Geralmente esses filmes olham somente pro próprio umbigo e não entregam nada de relevante pro consumidor”.
“Atributos da marca Oi: direta, confiável, inteligente, inovadora, ousada e bem humorada”.
Num mercado disputado como o de telefonia, a Oi consegue se destacar agregando valor a marca com um conceito fantástico que está presente em todo o processo de comunicação da marca – “simples assim, sem enrolação”.
O foco da Oi não está na venda de aparelhos celulares e sim na prestação de serviços. Foram pioneiros no desbloqueio de celular, aliás essa foi a estratégia pra bater de frente com as grandes marcas.
Na entrada no mercado de São Paulo a Oi conseguiu a incrível marca de 1 milhao de chips vendidos em 20 dias. Interessante destacar que metade dos cadastros dos novos chips foram realizados via internet.
// Em seguida foi a vez de Eduardo Tomiya, diretor da BrandAnalytics. Falou sobre retorno de investimento, o famoso ROI. Discorreu sobre a importância de agregar valor a marca e gerar lucro para acionistas.
“A construção de uma marca forte passa necessariamente por: capital humano, capital de relacionamento e capital organizacional”.
“Entregar o que promete é o mínimo para se construir uma marca verdadeira e forte”.
Pra encerrar com chave de ouro disse que o “ROI não é objetivo em si mesmo, o objetivo é otimizar o budget”.
// Depois do almoço veio Pedro Cruz, Vice Presidente de Planejamento da África. A apresentação dele foi, no mínimo, curiosa. Ele leu uma carta direcionada aos participantes. A medida que os assuntos iam sendo abordados, imagens ilustrativas eram publicadas no telão. Foi fantástica a maneira com que ele falou sobre planejamento, de uma maneira apaixonada e sincera.
Acredita, e reforçou isso várias vezes, que o planejamento precisa se aproximar do alto escalão das empresas. Pra ser efetivo o planejamento precisa estar em contato direto com presidente, diretores e conselheiros.
“A razão de ser do planejamento está diretamente ligada a construção de marca”.
“Planejamento tem um papel político e transformador dentro do cliente”.
“Planejamento não é igual pizza, que se entrega daqui a meia hora”. Essa frase deveria estar na porta de entrada das agências
// Gustavo Fortes, sócio fundador da Espalhe, defendeu a idéia de que a comunicação tem que gerar repercussão. O que leva as pessoas falarem sobre determinadas marcas e de outras não? Eis a pergunta chave de um processo de comunicação bacana.
“Toda quebra de paradigma gera repercussão”.
“Consistência na comunicação gera repercussão, por exemplo, logo do Google que é modificado em datas especiais”.
“Fazer mais com menos X fazer mais com o que temos”.
// Ernesto Bologna, fundador da Ethos Desenvolvimento Humano caminhou por um caminho mais filosófico. Psicólogo de formação, discorreu sobre as relações interpessoais.
“Duas pessoas jurídicas só se comunicam através de duas pessoas físicas”.
// Quase no final do evento foi a vez de Luis Paulo Rosenberg, PHD em economia, Vice Presidente de Marketing do Corinthians. O cara é uma figura e, claro, não deixou de provocar os não torcedores do Corinthians que estavam no evento.
Mostrou os bastidores da restruturação do Corinthians. Em 2007, ano do rebaixamento para a segunda divisão, o clube estava em frangalhos e faturou 44 milhões de reais. Em 2009 a receita será de 110 milhões. Esse crescimento significativo se deu, principalmente, apoiado num planejamento estratégico de marketing.
Rosenberg defendeu a idéia de que o marketing do Corinthians é voltado para a torcida e não para o time. Todas as ações são planejadas e executadas em prol da fiel torcida. Contou histórias super engraçadas que animaram a platéia.
“O marketing não faz milagres, o produto faz”.
“O marketing tem que entregar emoção”. Em se tratando de Corinthians essa é a chave principal do sucesso que vem sendo conquistado.
Deixando minha paixão pessoal pelo timão de lado, essa palestra foi sensacional \o/ #VaiCorinthians
// O encerramento ficou por conta do gringo Brad Kay, presidente da SS+K. Esses caras que criaram a estratégia de marketing daquelas pulseiras amarelas de borracha da Nike, “Live Strong”, que percorreram o mundo na luta contra o câncer.
O cara parecia ser legal e interado, durante a palestra fez até uma referência ao caso Geisy / Unibam que aconteceu no Brasil. Falou sobre as forças sociais que impulsionam a comunicação e apresentou algumas referências ao case da eleição do Obama para presidente dos Estados Unidos.
E foi assim. Recomendo, para quem tiver oportunidade e interesse, a edição do GP 2010.
Com o propósito de entregar as informações sobre a Lampejos em diferentes plataformas, projetamos uma interface pra facilitar a navegação e o acesso as principais informações e cases da agência no celular. A versão mobile está publicada e sua atualização acontece de forma automática e simultânea com o site. As tecnologias utilizadas foram a “xhtml mobile profile” e ASP.net. Acesse www.lampejos.com.br do seu celular e receba saiba mais sobre nossos cases, sobre a agência, nosso twitter e informações de contato e localização integradas com o Google maps.
Tudo bem, estar conectado e antenado no que está acontecendo no mundo digital é importante para quem trabalha com comunicação. Mas gente, por favor, não encarem isso como uma obrigação ou mesmo como uma “questão de sobrevivência”. Em outras palavras, não force a barra. Seja um cara legal!
Vou sugerir ao Sr. Twitter uma biblioteca de frases prontas para economizar tempo de milhares de twiteiros. Algumas do tipo:
“indo almoçar”
“em congonhas esperando o avião”
“tomando suco de laranja”
“estou de mau humor”
“hoje é sexta-feira – iihhuu”
“hora do café”
“voltando para casa”
“no congestionamento”
E por aí vai… :S
Criar um perfil no blog, no twitter, no flickr e no blip é bacana. Mas qual o seu papel na rede? Você realmente está disposto a compartilhar e expor idéias e experiências? Está disposto a sair da sua panelinha, onde somente seus amigos legais deixam comentários legais, e conhecer novas pessoas e novos pensamentos, sem preconceitos? Se você é tímido e se posiciona como um mero espectador, ótimo, tem muita gente boa nas redes sociais e há muito o que se aprender com elas.
O desafio cada vez mais se concentra em entender os movimentos culturais ocorridos na internet e saber aproveitar as oportunidades.
Na condição de “beta tester” li o novo livro do Cavallini nas férias. O livro é excelente e o conteúdo de primeira qualidade. Recomendo sem restrições. Mas o que quero destacar aqui não é o conteúdo em si, mas a atitude do autor.
Mais importante que ter um discurso bacana, e alinhado com os chavões da moda, é ter o pensamento digital e conectado. Não estou falando aqui de internet e muito menos de tecnologia, longe disso. Estou falando de comportamento, de transparência, de cooperativismo. Esse é o ponto que merece ser destacado com a atitude do Cavallini, que simplesmente abriu o livro para revisão e críticas na internet, antes mesmo de publica-lo. É a teoria sendo colocada em prática, sem medo e sem preconceitos.
O livro será publicado, espero que em breve, e disponibilizado para download gratuito na internet. Igual ao primeiro.
Como escolher qual tecnologia utilizar no desenvolvimento de um site? Tecnologia existem aos milhares, umas mais e outras menos conhecidas, cada uma com suas características e finalidades.
Uma analogia cabe neste post. Imagine a seguinte situação: você precisa percorrer uma distância de 40 quilômetros entre a cidade “A“ e a cidade “B“. Qual o meio de transporte mais adequado neste caso? Ônibus, carro, taxi, avião, helicóptero, bicicleta, moto? A resposta mais prudente num primeiro momento seria, depende. Mas depende do que exatamente? Num caso de vida ou morte o helicóptero seria mais adequado. Em uma viagem de lazer talvez o carro seria mais apropriado. Se a estrada for boa e o tempo ajudar, a moto pode ser uma boa opção. Se você for um esportista talvez tenha pensado na bicicleta. Enfim, as variáveis são muitas e merecem ser analisadas uma a uma detalhadamente.
O mesmo pensamento analítico devemos aplicar quando nos deparamos com um projeto de um site para ser desenvolvido. Qual o perfil do cliente? Qual o público-alvo? Qual o objetivo do site? Qual o tamanho do site? Será um site de entretenimento? Será um site de serviço? Um comércio eletrônico? Um site institucional? Um hot-site de apoio a uma estratégia de campanha? As informações deverão ser atualizadas periodicamente?
Após algumas respostas a equipe de profissionais da agência começará a ter uma idéia mais clara se a melhor solução para o projeto será o desenvolvimento de um site HTML, Full-Flash ou híbrido. A partir daí as linguagens a serem utilizadas serão definidas, como por exemplo, PHP, ASP.net, JavaScript, Ruby on Rails, Pearl, Java, C#, VB, Ajax, XML, SQLServer, MySql, Oracle, e por aí vai.
Se o objetivo do site for entreter o usuário e provocar uma experiência de marca o flash se torna ótima opção. Agora, imagina se o site do Google fosse todo full-flash, com animações, loading e transições entre as páginas. Acho melhor nem imaginar!
O ponto principal talvez seja entender que a tecnologia precisa ser utilizada a favor do cliente e não como meio para atender desejos e preferências pessoais de quem se propõe a desenvolver.
Assisti “Ensaio sobre a cegueira” e gostei tanto do filme quanto do livro. O primeiro não perde nada em relação ao segundo, pelo contrário, materializa de maneira visual, e não menos emocional, a fantástica história escrita por José Saramago.
Pelo que tenho lido a respeito a crítica não está falando muito bem do filme. Não sei se isso é bom ou ruim, não conheço os conceitos e os interesses que permeiam as análises dos críticos dos festivais de cinema. O festival de Cannes, por exemplo, classificou o filme em penúltimo lugar, para eles o filme dirigido por Fernando Meirelles só é melhor que um pornô Filipino. Mas falar o que de Cannes? Lá também eles costumam premiar inúmeras peças publicitárias fantasmas, fato que nos dá o total direito de questionar a validade do festival.
Mas o que me chamou mais atenção é o protesto que a Associação de Cegos dos EUA está organizando contra o filme. O pessoal de lá se sentiu ofendido com a produção. Definitivamente eles não entenderam a mensagem e a reflexão que a história traz. A cegueira em questão não está na capacidade de visão de uma pessoa, mas sim nos valores do ser humano vivendo em sociedade. Esse é o ponto chave.
Quando elevamos o conceito de cegueira para um universo mais amplo não fica difícil identificar sintomas no meio em que atuamos. Encontramos muita gente vendendo comunicação digital, fazendo seu show particular, utilizando jargões técnicos em seus discursos e, no final, entregando sempre o velho “mais do mesmo”, sem nenhum respeito com o cliente e com o consumidor final. A “epidemia branca” não é exclusividade da ficção do Saramago, e como diz o ditado, “o pior cego é o que não quer ver”.
Reação do José Saramago ao assistir o filme, de arrepiar, literalmente!