Hugo de Lima no Casa da Palavra

Da Renascença ao Instagram, o professor nos fez refletir sobre a fotografia.

Neste mês, recebemos o professor e fotógrafo Hugo de Lima para participar da 4ª do Casa da Palavra na Lampejos. O tema abordado por ele foi “A fotografia na formação da sociedade contemporânea”.

Hugo é bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda e mestre em Educação pela Unimep. Atualmente, é professor na Puc-Campinas pelo Centro de Linguagem e Comunicação (CLC), já foi professor da Unimep pela Faculdade de Comunicação e Informática (FCI) entre 2011 e 2017 e professor concursado na Etec de Americana, no curso técnico de Comunicação Visual, nos anos de 2009 a 2016.

Além de trabalhar com a faixa etária do adolescente ao universitário, Hugo de Lima também tem um projeto fotográfico com a sua esposa – a jornalista e fotógrafa, Luiza Cazetta – com registros de parto humanizado. Um projeto ‘meio filosofia de vida’, como ele mesmo nos contou.

Assim como o seu currículo profissional, nosso convidado adora contar boas histórias e por ser professor, trabalha de forma muito didática. “Sou professor, mas gosto de pernear por vários lugares, por isso a proposta que eu trago hoje é mais provocativa do que técnica”, disse ele. E dessa maneira nos foi compartilhado suas experiências.

A linha do tempo da Fotografia

Hugo começou nosso bate-papo com uma indagação: Para onde a gente caminhou com todo o processo da fotografia? O que o mercado oferece, e como podemos caminhar com isso?

Logo após nos contou brevemente sobre sua dissertação, sobre o Instagram – claro. A tese era sobre como a rede social foi uma referência de formação na cultura digital na sociedade contemporânea.  

“O que eu estou querendo dizer é, se colocar o Instagram em ondas seria a 3ªou 4ª onda da fotografia. Que é uma proposta muito diferente daquela que a gente tinha antes do digital, porque a gente tem algo a mais que é a ideia do compartilhamento, isso muda completamente o olhar da fotografia até então, porque as redes de distribuição de foto até antes do Instagram estavam na mão de grandes empresas”, explica o Hugo.

Além de compartilhar, o Instagram aproxima realidades diferentes, em várias estéticas.

A partir daí, e para nos falar sobre a fotografia na sociedade contemporânea, Hugo nos contou uma prévia da história da fotografia de uma forma crítica e de reflexão, em que podemos discutir frases e pensamentos de grandes nomes ao longo do tempo.

“Algumas coisas no mundo surgem como pensamento e não necessariamente como técnica. A internet, por exemplo, é resultado de uma série de melhoramentos de um pensamento”, refletiu Hugo.

Como cita o filósofo tcheco, Vilém Flusser, “no momento em que a fotografia passa a ser modelo de pensamento, muda a própria estrutura da existência do mundo e da sociedade”.

Mas nada disso foi feito somente por pensadores, biólogos e pintores, o interessante da fotografia e de qualquer evolução para o digital, dependeram também de aberturas políticas que investiram para que todas as pessoas pudessem experimentar da tal tecnologia. E claro, com a determinação e criatividade de diversas pessoas.

A partir da reflexão “o analfabeto do futuro não será quem não sabe escrever, e sim quem não sabe fotografar”, de Lazlo Moholy-Nagy, Hugo foi da renascença ao Instagram – o boom da fotografia, nos mostrando a primeira fotografia do aplicativo lá em 2010, um cachorro. Então, surgiram as transformações e ferramentas cada vez mais inovadoras.

Como exemplo, ele nos mostrou um vídeo que reúne fotos de 852 perfis do Instagram em um compilado de acontecimentos que se transformam em uma storytelling incrível. Confira:

Este exemplo nos faz questionar vários aspectos da tecnologia, como os direitos de usar imagens de terceiros, por exemplo. Isso pode acontecer com qualquer informação e criação divulgada no digital. Ainda mais, como as imagens divulgadas nos diversos meios de comunicação influenciam a nossa realidade.

Proposta de Reflexão  

Antes mesmo do Casa da Palavra, cinco dias de antecedência, Hugo fez uma provocação a toda equipe da Lampejos com dois desafios: trazer uma foto do trisavô ou trisavó e uma foto de uma celebridade da Ásia. Como já era de se esperar, poucos cumpriram esse desafio.

A questão na verdade era como enxergamos o ponto de vista dos outros e o nosso próprio, sendo que podemos conhecer um famosos da Ásia, por conta da internet, mas muitas vezes não sabemos nem o rosto de nossos antepassados, por não ter o registro e possibilidade dessa referência que a fotografia nos trouxe. Aproximação, é a maior herança que a tecnologia nos permite.

Terminamos mais essa edição do Casa da Palavra assim, cheios de pensamentos para compartilhar. Valeu, Hugo de Lima!

SOBRE O CASA DA PALAVRA

O Casa da Palavra é um projeto de curadoria de conteúdo da Lampejos Comunicação, com o objetivo de trazer pessoas e experiências que possam agregar diversos aprendizados relacionados às mudanças que a comunicação tem passado com a revolução digital.